terça-feira, 15 de junho de 2010


Não costumo esperar muito de ninguém (não mais), hoje em dia é difícil me iludir. Odeio três beijinhos, aperto de mão, tumulto, frio, gente burra e mentira mal contada. Não puxo saco de ninguém, nem gosto que puxem meu saco também. Não tenho amigos por conveniência, não sei rir se não acho engraçado, não atendo o telefone se não estou afim de conversar, não sei fingir o que não sinto, nem tão pouco disfarçar o que me rodeia a mente.
Não sou pra todo mundo, gosto bem do meu mundinho cheio de surpresas, palavras soltas e cores misturadas. As vezes tem céu azul e brisa fina, outras tempestades e furacões. No meu pequeno mundo não cabe muita gente, e as pessoas que nele estão, não estão por acaso, são de certa forma necessárias.
Grande parte de mim acredita em finais felizes, relacionamentos duradouros e velhice compartilhada. Enquanto outra parte, tem quase certeza que eu só sei amar errado. Tenho uma metade que mente, trai, engana pra mim mesmo, pra me proteger talvez. Outra que só conhece a verdade. Uma parte que precisa de calor, carinho, pés com pés (pra me aquecer no inverno). Outra que sobrevive sozinha. Metade auto-suficiente...
Certamente um dia você vai compreender que não existe nenhuma pessoa totalmente má, nenhuma pessoa completamente boa.Você vai ver que todos nós somos apenas humanos e sofrerá muito quando resolver dizer só aquilo que pensa e fazer só aquilo que gosta. Aí sim, todos te virarão as costas e te acharão mal por não querer entrar na ciranda deles, compreende?
Não sou boa com padrões e determinações pré estabelecidas, gosto muito de viver e sou intensa demais pra isso.
#Né?

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Para meu querido pai...



Um homem que se finge de burro é mais burro do que um burro honesto.

O que me dói é ver um pai casar de novo e esquecer o filho do primeiro casamento. Esquecer. Nenhum cartão de Natal ou presente debaixo da lareira.

É que ganhou um herdeiro do segundo casamento, está envolvido na escolha do enxoval, no anúncio do jornal, em fumar charuto com o sogro e com aquela vaidade suprema de ostentar para sua esposa que é experiente e sabe segurar a criança.

Ele apaga a casa anterior — com o que havia dentro dela — e se apega à casa recente. Entende que sua criança ou adolescente cresceu o suficiente para não depender mais dele. Nenhum filho cresce o suficiente para ser órfão de repente, não importa a idade.

Aquele filho a quem amava e criava com zelo, a quem aconselhava e trocava as fraldas passa a existir somente como uma pensão, uma linha do seu contracheque. Não pergunta. Não telefona. Não se encontra fora de hora. Está muito ocupado criando um bebê. O que dá para entender é que ele não ama o filho, mas a mulher com quem se encontra no momento. Faz qualquer coisa para agradá-la, inclusive negar a paternidade do primeiro casamento.

É do tipo ou tudo ou nada, ligado à figura masculina patriarcal, que oferece e tira conforme suas vantagens. Não é bem um pai, mas um latifundiário emocional, desconfiado, sob permanente ameaça de invasão de suas terras.

Mãe é diferente, sempre se elogia quando menciona seu filho. Mareja os olhos ao mexer na gaveta das camisas, coleciona bilhetes e desenhos, inventa uma porção de neologismos no abraço. Não se guarda para depois, para um melhor momento, está disposta a conversar pressentimentos e costurar recordações.

Pai costuma se omitir no momento do desabafo. É comedido demais para estar vivo. Troca de personalidade, de residência, de amor, o que precisar, no sentido de prevenir a sobrecarga de problemas. Para namorar, ele some por meses (exatamente o contrário da mãe, que administra o final de semana sem nenhum apoio). Homem ainda não conseguiu conciliar sua vida profissional com a afetiva. Não é capaz de unir nem a vida afetiva pregressa com a vida afetiva atual. Cuida de um afeto por vez.

Pai não forma sindicato, não cria associação. Continua defendendo que ninguém tem o direito de se meter na vida dele e converte em inimigos os amigos que insinuam sua indisposição filial.

Ele se separou de uma mulher, não do seu filho, mas culpa o filho porque não consegue completar uma frase com a ex. Parte do princípio de que ajudando o filho está ajudando a ex. Gostaria de matá-la, mas então se mata para o filho.

Ou entende que seu filho deve procurá-lo, cria paranoias e neuroses para aliviar sua culpa. Age como um ressentido, fala mal do filho do primeiro casamento para a mulher do segundo casamento, alegando ingratidão. E a mulher do segundo casamento concorda com o absurdo porque está preocupada com o nenê e deseja a exclusividade do marido. E não entende que um irmão depende do outro irmão, que uma família não cresce por empréstimos.

Homem tem que aprender a sofrer em público, sofrer por um filho o que sofre por uma dor de cotovelo, apanhar das cólicas e da coriza, desabar numa mesa de bar, beber interurbanos, fechar a rua e o sobrenome para encurtar distâncias, chorar nas apresentações escolares, fingir abandono a cada despedida, para só assim mostrar que pai, pai mesmo, nunca será dispensável.
F.C
#Ficaadica
#Quemsabeficaesperto.